7 de ago de 2009

O Cego

Não sei qual é a cara que mira,
quando miro a cara do espelho;
Não sei qual velho espreita no reflexo,
com silenciosa e cansada ira.

Lento em minha sombra, com a mão exploro
minhas invisíveis rugas. Um lampejo
me alcança. Eis que vejo teu cabelo,
que é de cinza ou mesmo de ouro.

Repito que tenho perdido somente
a vã superfície das coisas.
O consolo é de Milton e é valente,

porém, penso nas letras e nas rosas.
Penso que se pudesse ver minha cara
saberia quem sou nesta tarde rara.

JLB