14 de dez de 2009

Assassino não é só quem mata, é também quem manda matar

Homofoia
Assassino de homossexual ainda não foi preso nem identificado pela polícia 
A vítima mais recente, Sabrina Drummond, foi enterrada ontem.


Marcela Mendes
marcelamendes@ma.dabr.com.br

 


Em clima de indignação, por parte de familiares e amigos, foi velado e enterrado ontem o copo de Daniel da Conceição, 40 anos, a travesti Sabrina Dummond, presidente da Associação das Travestis e das Transexuais do Maranhão (Atrama). O assassino da travesti ainda não foi preso nem identificado, mas acredita-se que a motivação do crime tenha sido homofobia.
Durante o velório de Sabrina, os amigos demonstraram estar muito indignados com o assassinato. “Tudo isso é revoltante. Ela estava trabalhando e foi assassinada brutalmente”, desabafou a travesti Andressa Sheron, amiga de Sabrina e secretária da Atrama. Ela continuou comentando que o crime bárbaro não pode ficar impune. “Esse não pode ser mais um caso que vai cair no esquecimento e ficar sem solução. Esse assassino é um perigo para as travestis e para toda a sociedade”.

A afirmação de Andressa foi confirmada por Airton Ferreira, representante da Secretaria de Direitos Humanos, que estava presente no velório. Ele lembrou que do ano de 2000 a 2009 foram registrados 31 homicídios de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais em São Luís, mas apenas um foi solucionado. “Com certeza um número bem maior de crimes foi realizado contra essas categorias, mas muitas vezes as famílias negam essa situação e nos deixam de mãos e pés atados”, lembrou Airton Ferreira, que também participa do Grupo Gaivota.

Amigo de Sabrina na Atrama, Carlos Garcia destacou que além dos muitos casos de homicídios, os travestis sofrem violências diariamente. “Esse é um problema muito frequente. Estamos em uma luta diária e precisamos conquistar resultados positivos”. A presidente do Grupo Lésbico do Maranhão (Lema), Leda Rego, compartilha da opinião de Carlos. “Não quero ver esse como mais um caso. Vamos buscar soluções”.
Na condição de presidente da Atrama, Sabrina estava organizando uma programação para o Dia de Visibilidade Trans, que será comemorado no próximo dia 29 de janeiro. Os amigos afirmaram que manterão a programação e ainda prevêem outras manifestações. “Ainda esse ano vamos fazer uma mobilização contra o assassinato da Sabrina e outros casos”, confirmou Andressa.
O velório foi realizado durante toda a manhã e início da tarde de ontem na sede da Escola de Samba Flor do Samba e o enterro ocorreu às 16h no cemitério Residencial Paraíso, na Vila Embratel.